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quinta-feira, 21 de abril de 2016

O Medo Rouba os Sonhos

Pedaços de Vidas




Os meus olhos percorreram cada recanto daquela sala. A lareira permanecia acesa. O estalido da lenha a arder era o único som que se fazia ouvir. 
Tu permanecias adormecido a meu lado. O teu rosto estava iluminado pelas chamas. Ainda recordo cada traço teu. Cada curva do teu corpo forte. Eras mágico. Parecias não existir, ou simplesmente seres demasiado para mim.
Sentia-me feliz por estares ali, mas temia que o sol anunciasse um novo dia e partires para sempre. Temia a tua partida mais que tudo.
Mas o sol nasceu e tu partiste. Levei anos a voltar a sorrir. Levei anos a acreditar que não voltarias. Ainda sinto o cheiro daquela lareira. Agora que penso nisso percebo que cheirava a despedida. Como não percebi? Como pôde ser imbecil ao ponto de acreditar que estarias sempre ali? 
Digo a mim mesma que aquela noite foi um oásis no deserto. Que a realidade seria diferente, mas não me consigo convencer. As marcas deixadas são extremamente profundas para não terem sido reais e mais uma vez o meu sorriso apagasse... tenho que regressar àquela sala. Preciso reviver o momento e seguir em frente.
Corro... corro... corro em direção à cabana dos sonhos.
Parece envelhecida pelo tempo. 
Entro. 
O cheiro a lenha queimada parece-me familiar. Como pode o cheiro permanecer ao longo dos anos?
Percorro com o olhar cada recanto, lentamente movimento-me em direção à lareira. Um estalido mais forte chama a minha atenção. Com os olhos cobertos de lágrimas vejo um vulto, o teu vulto... não pode ser verdade!!! Estás aqui, onde tudo começou e tudo acabou.
Percebo então que não deveria ter tido medo. Deveria ter regressado no dia seguinte, e no seguinte, e no seguinte. Estiveste sempre aqui e eu escondida no meu medo. 
O medo rouba os sonhos e já é tempo de voltar a sonhar...



Texto: Paula Cardoso

Imagem: desconheço fonte


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BeijinhoBom*